Por que Maracanã foi o jogo que me marcou no Diversão Offline 2018

O Diversão Offline apresentou inúmeros jogos e novidades para o mercado brasileiro. Maracanã com certeza não foi o melhor ou maior jogo anunciado lá. Sequer é um grande anúncio do Uwë, Kramer ou Kiesling, mas ele foi, junto com Teseu, o que mais me marcou no evento.

Para explicar o porquê, eu tenho que voltar mais ou menos 1 ano e meio no tempo, quando vi um vídeo do falecido Bafo do Dragão de cobertura do Castelo das Peças, evento tradicional aqui do Rio. Vi no vídeo um jogo chamado Maracanã, em que o tema por si só me interessou. Eu não tinha nenhuma informação do jogo até então, mas como amante de futebol que sou, aquilo era suficiente.

Neste período eu procurei outros eventos onde o Rodrigo Rego, autor do jogo, poderia leva-lo para playtest, mas como ele começou a testar outros jogos, pouco a pouco, minha esperança de conhecer o Maracanã foi minando.

Foi então, quando já havia perdido de esperanças que recebi, com empolgação, a notícia de que o Maracanã estaria sendo apresentado pela Dijon Jogos, no Diversão Offline. No último mês, eu conheci o Rodrigo ao testar o Dubai, no Mansão Convida, e me convenci que o cara sabe fazer jogo. Então, assim que cheguei lá, fui direto atrás no stand da Dijon.

Mecanicamente, o Maracanã não tem nada de outro mundo que vai explodir sua mente. Seria apenas um bom tile placement, simples e rápido, se não fosse uma coisa: a interação da mecânica com o tema. E nisso o jogo brilha!

Como eu falei o jogo é um tile placement, onde você compra um tile e coloca em um lugar e ganha pontos por isso. Só que em Maracanã, cada tile representa uma sessão da torcida do teu time no estádio. Você tem vários tipos de tile, como música da torcida, a Ola, o bandeirão, o foguetório e o mosaico. Para comprar um tile, você utiliza um rondel de ações onde escolhe andar de 1 a 3 casas, pegar um tile seu e descartar outro do rival naquela mesma casa. Com isso, você não apenas joga na melhor combinação de tiles para você, mas marcando o avanço do adversário ao descartar os melhores tiles para ele.

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Cada tile vai te dar um certo avanço na trilha de vitória. A ideia é que quanto maior o apoio da torcida, mais próximo o time fica de marcar um gol. Por isso, a partir de um certo avanço na trilha, teu time então abre o placar. Vamos dizer, por exemplo, que você marca um gol quando ultrapassar o valor 10, 18, 24 e 30 na trilha de pontos. Se no final do jogo você estiver na casa 25 da trilha e teu adversário na 21 você venceu o jogo por 3 a 2. O jogo ainda te permite comprar cartas de pontuação extra de final de jogo (por tipo de tile que você tem) de forma que isso pode mudar o resultado esperado durante a pontuação final. E onde está a genialidade do jogo? Então! Vamos lá.

Como eu disse, onde o jogo brilha é na relação com o tema. Eu estava jogando com o Vasco, meu time do coração e fiquei eufórico ao puxar pela primeira vez o tile de música do Vasco e ver que o canto não era algo genérico, mas sim o grito de “Casaca”, gritado pelo time nos seus títulos desde que o time foi fundado por portugueses mais de 100 anos atrás. Quem é torcedor de ir no estádio vai reconhecer os gritos da torcida ali e isso já mexeu comigo. Outro ponto que me encantou foi o poder variável de cada time. O Vasco aqui no Rio tem o apelido/fama de ser o “Time da Virada” e isso foi implementado no jogo através das cartas de pontuação de final de partida. Como o Vasco tem mais maneiras de pegar tais cartas, ele tende a fazer uma pontuação secreta de fim de jogo maior e virar o jogo no finalzinho, quando se menos espera. Gente, isso foi genial. Eu mesmo, ao virar o jogo para cima do Rodrigo já no final, estava quase cantando “êêêêêê ôôôô, o Vasco é o time da Virada, o Vasco é o time do amor! ”.

E eu usei aqui o Vasco como exemplo, mas praticamente todo time que eu dei uma olhada no final, tinha um poder completamente alinhado com a realidade. O Corinthians tem a Gaviões da Fiel, um tile de torcida que tem mais força que os outros, duplicando a pontuação do tile colocado anteriormente.

E se o jogo empatar, há disputa de penaltis. As Cartas de penaltis são dadas aos jogadores no início de cada partida mostrando qual tipo de tile marcarão gols para o seu time caso o jogo vá para penalidades. E se empatar novamente novas cartas de penaltis serão compradas, agora valendo pontuação para os 2 times.E é justamente nesta relação de mecânica com o tema que o jogo, para mim, se eleva a um outro nível.

Talvez nada que eu descrevi aqui possa te convencer sobre quão bom é o jogo. Talvez você não curta futebol como eu e não sinta metade da emoção que eu senti jogando Maracanã. Mas para mim o jogo foi emotivo, foi nostálgico, foi fantástico. Me levou de volta ao sentimento de criança quando, na pelada da rua ou no futebol de botão, eu jogava bola até sozinho, narrando meus dribles e comemorando meus gols com coreografia, como se eu fosse o Edmundo, jogando no gramado do próprio Maracanã.

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Maracanã é um jogo simples, mas é daqueles que, mesmo simples, dá vontade de jogar várias vezes seguidas. Um sentimento parecido com o que tenho com Kingdomino, sabe? Não sei dizer qual é o nível de rejogabilidade dele, pois por mais que ele tenha os 12 principais clubes do Brasil, cada um com poder diferente, eu vou sempre querer jogar com o Vasco. Então, se eu fosse analisar friamente, talvez Maracanã não estaria no meu top destaques da DOFF 2018, mas por que eu analisaria apenas friamente um jogo que é pura emoção.

“De todos os amores que eu tenho és o mais antiiiiigo! Vasco é minha vida, minha história meu primeiro amiiiiiigo”

2 comentários em “Por que Maracanã foi o jogo que me marcou no Diversão Offline 2018

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